Eu ainda estou aqui

   

   Foi numa tarde chuvosa no último dia do mês de setembro que te conheci. Não esperava por você, preciso confessar isso. Pensei que fosse apenas mais um rapaz, como todos os outros, e seria apenas mais um beijo, como foram todos os outros, porém todos os outros foram exatamente diferentes.
   Havíamos marcado às 15h, mas o trânsito permitiu que você chegasse um pouco atrasado a ponto de termos que correr pelo shopping para garantir a nossa sessão. Eu assistiria a um filme naquele dia ao lado de uma pessoa que nunca havia visto antes, seria uma nova experiência e aquela aventura me contagiava. Nós conseguimos nossos bilhetes e fomos os primeiros a entrar na sala número 2.
   Você estava tão atento a todas as minhas atitudes que, por um lado, sentia-me constrangida, com uma vontade enorme de gritar (o que é um "defeito" meu sempre que me sinto assim), mas  por outro, seu olhar me garantia paz, sossego, aconchego... Eu estava em casa dentro dele.
   O filme começou, e com ele, o frio também. Putz, eu não tinha levado nem se quer um casaquinho (quem é a pessoa que vai ao cinema e não se agasalha?)! Pelo contrário, minha blusa era uma azul, de alcinhas, e não combinava nada com o tempo lá fora.
   - Tá fazendo frio aqui, né?! - eu disse.
   -  Um pouco - você sorriu, enquanto me envolvia em seus braços.
  Só de lembrar, consigo sentir na pele o calor que me transmitia naquele momento. Seu corpo estava extremamente quente. Descobri algo que não conhecia ainda, a sua temperatura. O que parece minimamente importante para algumas pessoas, para mim, não era assim. Cada detalhe seu me deixava mais a vontade e mais surpresa.
   Em um momento, ainda durante o filme, que parecia não ter fim (eu não queria que tivesse), senti seu rosto se aproximar do meu. Seria a hora? Era agora? Mas assim,  do nada? Deixei você sentir meus questionamentos sem que precisasse abrir a boca para pronunciar cada um deles. Seu rosto recuou, acredito que sua mente tenha voado naquele momento e pensado:" É, ela é diferente... ". Não deixei que acontecesse, porque o encanto não estava apenas na questão de ser beijada, era o conjunto da ópera, ou seja, tudo! O beijo chegaria, mas não ali, de repente.
   Quando terminou, notei as pessoas saindo da sala fazendo comentários sobre ele (algumas pessoas diziam que era bom, outras que era ruim).  Agradeci por você ter me aquecido. Você sorriu. Notei o quanto seu sorriso era lindo e mais lindo ainda era saber que você o dedicava a mim. Agora sim, era o momento. Não deixei passar. Dessa vez, quem foi até você, fui eu! Te beijei. Foi intenso, com uma química tão incrível, que parecia que já tínhamos tido toda uma história antes daquela tarde, era como se já nos conhecêssemos e precisassemos um do outro. Foi o suficiente para que até hoje eu lembre dele, lembre de você e queira te encontrar mais vezes.
   Setembro foi o mês que a primavera do meu coração começou, coincidiu com a já existente. Marcarmos de nos ver no próximo domingo, que não por acaso está programado para ser um dia ensolarado, afinal de contas, agora já é verão. Mesmo que seja chuvoso, sei que vale a pena te esperar, caso o trânsito não te deixe chegar e, mais que isso, estar na sua companhia.

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